Vídeo | Brasileira que foi içada de navio em trabalho de parto fala pela primeira vez
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Vídeo | Brasileira que foi içada de navio em trabalho de parto fala pela primeira vez

Janete Santos, de Joinville (SC), conta sua história com exclusividade a CRESCER. “Vi aquele cabo e pensei: ‘Meu Deus, e se eu caio?’. A bolsa estourou naquela hora”, lembra

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Arquivo pessoal

Você se lembra de um vídeo veiculado em abril em vários portais de notícias e nas redes sociais, em que uma mulher grávida, em trabalho de parto foi içada de um navio para dar à luz (assista abaixo)? A catarinense Janete Santos, 43, era quem estava ali, vivendo um dos momentos mais aterrorizantes e, ao mesmo tempo, mais emocionantes, de sua existência. Apesar de todo o medo, a história teve um final feliz e hoje, ela, que nunca foi casada ou teve filhos, é mãe do pequeno Giuseppe, 4 meses, um menino saudável. “Ele é maravilhoso, a luz da minha vida”, não se cansa de dizer.

Por telefone, ela contou, em primeira mão, sua história à CRESCER. Janete tinha entrado no navio brasileiro quatro meses antes para trabalhar como camareira. A embarcação saiu do porto de Santos, no litoral paulista, e seguia para a Europa. “Eu estava um pouco gordinha, mas pensei que estava na menopausa. Certo dia, pela manhã, saí para trabalhar, preparei os materiais, mas comecei a sentir dores fortes na barriga. Então, achei melhor procurar o ambulatório”, lembra.

O navio dispunha de um ambulatório com equipamentos e medicamentos básicos, voltados para primeiros socorros. Lá, no dia 7 de abril, a tripulante foi atendida e recebeu medicamento para dor, mas não houve melhora. O médico, então, optou por fazer um ultrassom para investigar melhor. “Vi na imagem alguma coisa que parecia um rosto, uma coluna, não sei. Estranhei. O médico chamou a equipe e eles começaram a falar, todos em inglês. Tinha umas cinco ou seis pessoas. Então, uma enfermeira me disse: ‘Janete, você vai ser mamãe’. Foi aterrorizante. Me senti perdida. Não conseguia chorar, nem esboçar emoção. Fiquei assustada”, lembra ela.

Janete já estava com contrações e em trabalho de parto. Então, segundo ela, a tripulação fez um anúncio pelo sistema de som, perguntando se havia obstetras e pediatras à bordo. “Desceram muitos médicos”, conta a camareira. No entanto, segundo ela, o parto não poderia ser feito ali porque o navio só dispunha de acessórios para primeiros-socorros, o que não seria suficiente, caso o bebê nascesse com alguma complicação. “Como eu não tinha feito nenhum acompanhamento, pré-natal, nada, eu senti medo que meu filho tivesse algum problema”, explica.

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O navio estava em alto mar, no Oceano Atlântico, e ainda levaria dois dias para chegar na próxima parada, em Santa Cruz de Tenerife, na Espanha.A solução foi pedir ajuda às guardas costeiras italianas e espanholas, que enviaram um helicóptero para resgatar Janete. O piloto tentou pousar em uma das pontas do navio, mas não conseguiu. A mãe, então, foi levada para o outro lado, de onde a opção foi ser içada por um cabo de aço, junto do médico do navio.

“Eu estava em trabalho de parto desde o dia anterior. O bebê tinha subido. Eu nunca senti o bebê mexer, tinha medo dele ter morrido nesse período”, lembra Janete, que não consegue conter as lágrimas emocionadas ao continuar: “Abracei a barriga. O helicóptero estava pousado dentro de uma área segura no navio, mas, quando foi para a área de mar, vi aquele cabo e pensei ‘Meu Deus, se eu caio’. A bolsa estourou naquele momento”.

Janete foi, então, levada para um hospital da cidade de Las Palmas, nas ilhas Canárias, onde passou por uma cesárea de emergência. Apesar dos temores da mãe, o bebê, um menino, nasceu completamente saudável, às 22h08 do dia 8 de abril, pesando 3,7 kg. “Até os médicos comemoraram!”, conta. Por um lado, ela ficou aliviada por tudo ter dado certo com o nascimento do pequeno Giuseppe, batizado em homenagem ao capitão do navio, que tem o mesmo nome. “Se fosse menina, se chamaria Heloísa, nome da hostess da embarcação, que também foi um amor e ajudou muito”, explica a mãe. Por outro, começou uma nova preocupação. “Eu ficava em um andar do hospital e o berçário em outro. Como não tinha ninguém comigo, eu me preocupava de alguém sequestrar, trocar o bebê e eu não poder fazer nada”, diz.

Depois, ela precisou acertar a documentação da criança. “Recebi visita de assistente social, de agentes do navio, de representantes do Consulado da Espanha… Um escrivão me disse: ‘Janete, você não pode sair daqui com esse bebê sem documento’”, explica. Giuseppe foi registrado na Espanha, mas a nacionalidade é brasileira, porque, segundo a lei do país europeu, é a mesma da mãe. Depois, o pequeno foi registrado também no Brasil. “No futuro, ele pode ter dupla cidadania”, explica a mãe.

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Como não fazia ideia de que esperava um bebê, Janete não tinha enxoval, fralda e não tinha se preparado com nenhum tipo de estrutura. “Os próprios passageiros do navio arrecadaram roupas, fraldas e outros produtos, entre eles, e me deram”, diz. Quando teve alta, Janete e Giuseppe voaram para Madri, depois para São Paulo e, finalmente, a Joinville, onde ela vive.

E O PAI DO BEBÊ?
Apesar de o pai do bebê ter tomado conhecimento do nascimento de Giuseppe, Janete é mãe solo e cuida dele sozinha. Ela não tinha um relacionamento sério com o pai, um haitiano que também vive em Joinville, mas eles se encontravam de vez em quando. Na data provável da concepção, Janete conta que eles brigaram e depois se reconciliaram. “Foi no dia 5 de julho do ano passado”, recorda-se. Eles tiveram relações, mas o homem se recusou a usar preservativos, segundo ela.

A camareira conta que engravidar não era mais uma preocupação. “Tive dois abortos espontâneos, um com 37 anos e outro com 41. Fui à médica e pedi que investigasse o motivo. Ouvi como resposta: ‘Tem mulher que não nasce para ser mãe’. Então, justamente, nesse período, em julho, tirei o adesivo [contraceptivo] para menstruar. Além de tudo, pelas minhas contas, eu não estava no período fértil”, afirma.

Janete só contou para o pai do bebê sobre a existência dele depois de cerca de 50 dias. “Ele já estava me procurando. Entrei no Facebook e tinha uma mensagem dele, dizendo que estava com saudade. Aí, mandei uma mensagem no Whataspp e, na foto do aplicativo, tinha uma foto minha com o Giuseppe. Ele falou: ‘Nossa, que legal, você tem um bebê agora’. Respondi: ‘Tenho e é seu’”, conta. Duas horas depois, o homem apareceu na casa dela.

Questionada se ele não ajuda, financeiramente e com os cuidados, ela diz que não. De acordo com Janete, o homem já tem outros 7 filhos e é vendedor de pipoca. Apesar de ter reconhecido o filho imediatamente e de visitá-lo uma vez por semana, ele não oferece nenhuma pensão. “Dá R$ 100, quando muito, mas não dá para nada. Vou cobrar o quê dele?”, conforma-se.

PÓS-PARTO
Desempregada, Janete tem vivido com a ajuda da família e de algumas doações. “Pretendo tentar voltar a trabalhar quando ele tiver uns 6 meses”, diz.

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A camareira também explicou que teve um pouco de depressão, porque, como a história foi amplamente divulgada, algumas pessoas faziam comentários maldosos, insinuando que ela teria agido de má fé e que sabia que estava grávida ao embarcar para trabalhar. “Me deprimi, chorei muito. Hoje ele é meu mundo, era o que me faltava”, conclui.

Janete só contou para o pai do bebê sobre a existência dele depois de cerca de 50 dias. “Ele já estava me procurando. Entrei no Facebook e tinha uma mensagem dele, dizendo que estava com saudade. Aí, mandei uma mensagem no Whataspp e, na foto do aplicativo, tinha uma foto minha com o Giuseppe. Ele falou: ‘Nossa, que legal, você tem um bebê agora’. Respondi: ‘Tenho e é seu’”, conta. Duas horas depois, o homem apareceu na casa dela.

Questionada se ele não ajuda, financeiramente e com os cuidados, ela diz que não. De acordo com Janete, o homem já tem outros 7 filhos e é vendedor de pipoca. Apesar de ter reconhecido o filho imediatamente e de visitá-lo uma vez por semana, ele não oferece nenhuma pensão. “Dá R$ 100, quando muito, mas não dá para nada. Vou cobrar o quê dele?”, conforma-se.

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A camareira também explicou que teve um pouco de depressão, porque, como a história foi amplamente divulgada, algumas pessoas faziam comentários maldosos, insinuando que ela teria agido de má fé e que sabia que estava grávida ao embarcar para trabalhar. “Me deprimi, chorei muito. Hoje ele é meu mundo, era o que me faltava”, conclui.
Feliz, Janete diz que se sente muito grata à tripulação do navio e aos passageiros. Ela conta que todos perguntavam por ela e pelo bebê depois do içamento e que, por isso, antes de três espetáculos dentro da embarcação eram exibidas fotos dos dois e um recado, dizendo que a mãe e o pequeno estavam bem. “Em seis línguas!”, orgulha-se. “Foi incrível, inédito, maravilhoso”, resume.

Vídeo está disponível aqui

Fonte: Revista Crescer

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