Tampinhas plásticas: uma nova moeda no mercado da solidariedade – Porto Alegre 24 Horas
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Tampinhas plásticas: uma nova moeda no mercado da solidariedade

O plástico é o material com maior participação no valor da produção de embalagens no país

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Foto: Bridget Benton

Como forma de auxiliar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Sapucaia do Sul, Laline Fogaça Ramirez, moradora da cidade, resolveu se engajar em uma campanha de arrecadação de tampinhas de plástico. A ação aconteceu por meio do projeto socioambiental Tampinha Legal, criado pelo Congresso Brasileiro do Plástico (CBP). O projeto tem como objetivo recolher tampinhas plásticas e, dessa forma, dar consultoria às entidades assistenciais ao reverter 100% dos recursos obtidos com a venda das tampinhas diretamente para a entidade.

Laline conta que a filha, Bruna, participa da APAE e que por conta deste contato sente os problemas de gestão que afligem a instituição. Para resolver isso resolveu cadastrar a APAE no projeto Tampinha Legal, que desde março deste anos já entregou cerca de 20 toneladas para a reciclagem, o que reflete em torno de 40 mil reais para as entidades. No dia 6 de outubro, Lanine obteve uma resposta de que a instituição havia sido aprovada e teria a consultoria por parte do projeto.

Hoje, por meio da campanha de Laline, o projeto já possui 35 pontos de coleta distribuídos entre estabelecimentos comerciais, empresas privadas e escolas da cidade. Ela acredita que cerca de 300 quilos de tampinhas já foram arrecadados durante este período da campanha.

Quem encontrou o projeto na internet foi a filha de Laline. “A Bruninha chegou pra mim e me mostrou, dizendo ‘olha que legal esse projeto, mãe’. Na hora achei sensacional e na mesma semana vi que a APAE de São Leopoldo também aderiu ao projeto. Daí eu pensei em trazer isso pra Sapucaia e ajudar a APAE daqui”. O contato de Lanine com o projeto se dá também por meio da formação acadêmica, pois ela é engenheira química e consultora ambiental. Essa campanha acaba englobando tudo que ela gosta. “Eu penso positivo e acredito que a gente consegue chegar, com a campanha, em uma tonelada e meia de tampinhas arrecadas para APAE”, explica.

O ciclo da Tapinha Plástica

Segundo Karoline Schneider, representante da área executiva do projeto Tampinha Legal, explica que o processo começa quando as pessoas levam suas tampinhas recolhidas até o ponto de coleta mais próximo. Em geral, os pontos podem ser colocados em qualquer local (empresas, comércios, hospitais, etc). Atualmente, o projeto tem mais de 500 pontos de coleta espalhados em 150 cidades do Rio Grande do Sul.

Os pontos de coleta podem ser abertos de duas formas: pelas entidades assistenciais ou pelas pessoas que procuram o Tapinha Legal, informando que desejam ser um ponto. Estas últimas precisam escolher entre uma das entidades assistenciais cadastradas em sua cidade para destinar suas tampinhas ou indicar uma entidade que tenha interesse em se cadastrar.

Urnas distribuídas pelo projeto às instituições para a arrecadação das tampinhas. (Foto: Divulgação/Tampinha Legal)
As entidades assistenciais cadastradas no programa buscam as tampinhas nos pontos de coleta, separam por cor e colocam em um saco padrão, fornecido pelo projeto. Desta forma, a triagem do material já está sendo realizada, separando-o de outros objetos, como pilhas, baterias, lacres de latinha, moedas, etc., os quais podem estragar as máquinas do reciclador e desvalorizar o material.

Após a triagem e separação por cor, as entidades entregam as tampinhas no deposito do projeto. “Feito isso, nós aguardarmos atingir a quantidade mínima para acionarmos o reciclador, que é em torno de 2 a 3 toneladas, somando todas as entidades cadastradas”, explica Karoline. Quando essa quantidade é atingida, o reciclador é chamado, o qual compra as tampinhas e paga diretamente na conta das entidades assistenciais. Todos os recursos das tampinhas são destinados às entidades assistenciais.

Sobre o destino deste valor arrecadado, Karoline explica que é variável conforme a entidade. “O destino do valor arrecadado com a venda das tampinhas é variável, cada entidade administra conforme suas necessidades. Algumas entidades utilizam para pagar a folha de pagamento, outras para reformar a sede, a biblioteca ou construir banheiros. Há ainda aquelas que utilizam para proporcionar refeições a seus usuários, comprar ração para animais abandonados ou fazer a castração destes”. E dá como exemplo a Liga Feminina de Combate ao Câncer de Tramandaí, que usará o valor para comprar um mamógrafo para o hospital da cidade.

Outra instituição que tem utilizado as tampinhas plásticas como forma de arrecadar recursos para entidades assistenciais é o Rotaract Clube Novo Hamburgo, um grupo jovens de 18 a 30 anos que se dedica a serviços humanitários. Segundo Renata Rauber, uma das fundadoras do clube,uma das ações realizadas pelo clube é a arrecadação de tampinhas plásticas e anéis de lata. Segundo ela, os anéis de latas recolhidos são colocados em garrafas pet. “Com 130 garrafas pet cheias de anéis de lata é possível trocar por uma cadeira de rodas”, explica ela. Já as tampinhas plásticas são recolhidas e entregues para a AMO Criança, instituição assistencial, também de Novo Hamburgo, criada com o objetivo de identificar precocemente crianças portadoras de câncer e promover, sem custos, o atendimento especializado, proporcionando melhoria na qualidade de vida das famílias assistidas.

“Há uma campanha muito forte na cidade. Médicos, restaurantes e lojas participam como pontos de coleta”, explica Renata. Ao receber as tampinhas, estas são separadas por cor e entregues a AMO Criança. “Lá eles vendem para a recicladora. Uma recicladora parceira que toda semana passa na sede da instituição e no Santuário das Mães, hoje um dos maiores pontos de coleta da cidade”.

Segundo Renata, até dia 17 de outubro, haviam sido arrecadados aproximadamente 54 mil quilos de tampinhas, o que rendeu para entidade cerca de R$ 94 mil. Dinheiro esse que será utilizada para pagar o custeio do tratamento das crianças e alguma outra necessidade da instituição, como, por exemplo, a reforma do primeiro piso da sede.

A importância do plástico para as recicladoras

Karoline Schneider explica que as tampinhas possuem uma melhor valorização para a venda, pois o material é mais nobre e poderá ser usando para confeccionar uma gama maior de produtos coloridos. Essa valorização do plástico se mostra também em um estudo macroeconômico da indústria brasileira de embalagem, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Associação Brasileira de Embalagem (ABRE). Ele foi apresentado em agosto de 2017 e diz que, no primeiro semestre deste ano, o plástico representou a maior participação no valor da produção de embalagens no país, correspondente a 38,85% do total, seguido pelo setor de embalagens celulósicas com 34,09% (somados os setores de papelão ondulado com 17,36%, cartolina e papel cartão com 11,57% e papel com 5,16%), metálicas com 18,15%, vidro com 4,43%, têxteis para embalagens com 2,53% e madeira com 1,95%. Renata Rauber também reconhece essa valorização e informa que a recicladora chega a pagar entre R$ 0,60 a R$ 2,00 por tampinha, dependendo de fatores como tipo de plástico, estado das tampinhas e separação por cor. (Arthur Colombo | Beta Redação)

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