Sem forro em sala, alunos de escola de Gravataí usam guarda-chuva durante aula – Porto Alegre 24 Horas
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Sem forro em sala, alunos de escola de Gravataí usam guarda-chuva durante aula

Em novembro de 2018, o forro de uma das salas do pavilhão 4, que abriga as séries iniciais, caiu.

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Foto: Arquivo pessoal

Por Luís Eduardo Gomes | Sul21

Viralizou nas redes sociais nos últimos dias uma imagem que mostra alunos segurando um guarda-chuva enquanto fazem anotações no caderno durante aula na escola estadual Tuiuti, em Gravataí (RS). A imagem foi feita em um dos dias chuvosos da semana que passou, mas não são uma exceção na escola, que, sem forro, precisa de urgentes reformas estruturais para conter as goteiras, nos dias de chuva, e o forte calor em dias de sol.

Diretora da escola, Geovana Affeldt diz que a direção pediu uma reforma estrutural em 2016, quando a Tuiuti foi uma das escolas designadas para receber uma parte da verba do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) destinada para reformas em escolas como parte do acordo firmado pelo governo do Estado para encerrar o movimento de ocupações estudantis daquele ano. No entanto, por falta de engenheiro para analisar a situação da escola, nenhuma reforma foi feita na ocasião.

Em novembro de 2018, o forro de uma das salas do pavilhão 4, que abriga as séries iniciais, caiu. “Só não machucou as crianças, não matou ninguém, porque eu interditei a sala um dia antes porque uma professora me avisou que estava abaulado o forro. No outro dia, o forro caiu inteiro”, diz Geovana.

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Depois da queda do forro, o pavilhão inteiro foi interditado e a Secretaria de Educação autorizou a realização de uma obra emergencial, sem a necessidade de licitação. “Essa obra até hoje não foi finalizada. Está fazendo aniversário agora em novembro”, diz a diretora. “Ela iniciou, parou, recomeçou, parou, e assim foi. Agora, ela está na finaleira já, só que o rapaz que está fazendo a obra faz 20 dias que não vem à escola. Ele justifica para nós que o Estado não pagou”, complementa.

A diretora diz que nesta segunda (4), em reunião na Coordenadoria Regional de Educação (CRE), recebeu a informação de que uma primeira parcela do pagamento do responsável pela obra atual será liberada entre hoje e amanhã. “A princípio, ele tem até o dia 21 de novembro para entregar a obra pronta, se não ele paga multa”, diz.

No entanto, Geovana destaca que o pavilhão 4 é apenas um dos problemas enfrentados pela escola. Em julho deste ano, pais e alunos ocuparam as dependências do colégio Tuiuti por seis dias para protestar contra a demora na realização de obras. “Uma das reivindicações deles era de que um engenheiro viesse avaliar os outros forros, porque a escola foi construída toda na mesma época, então, se um forro caiu, eles pensaram que os outros poderiam cair também. E os engenheiros avaliaram que poderiam cair também, que oferecia risco”, diz.

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Como resposta, foram retirados os forros de todas as salas de aula da escola. “O que acontece, é uma telha de zinco. Eu já tapei um monte de buracos, só que ela amassa, e entra água por debaixo da telha. Quando está calor, faz 50º dentro da sala, porque é direto do zinco na cabeça dos alunos. Quando chove, eu tapo uma goteira, surge outra e a gente não dá conta de tapar as goteiras”, diz.

Além disso, sem o forro, não há mais isolamento acústico entre as salas de aula, o que faz com que o barulho de uma acabe invadindo a outra, prejudicando a didática dos professores e dificultando o aprendizado dos alunos.

A escola tem atualmente cerca de 1,2 mil alunos, divididos em 14 turmas no turno da manhã, 14 turmas pela tarde e nove turmas à noite, das séries iniciais do Ensino Fundamental até o Ensino Técnico Pós-Ensino Médio em Logística. Desde o ano passado, a sala de informática, a biblioteca e a sala de multimídia estão sendo utilizadas como salas de aula para substituir os espaços interditados no pavilhão 4. Geovana afirma que será preciso trocar o forro de todas as salas de aula, porque não há mais conserto. “Já foi feito todo o projeto e isso está lá na Seduc”, diz.

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Por meio de nota, a Seduc diz que as reformas dos pavilhões 1, 2 e 3, o que incluirá serviços no telhado, no forro e na parte elétrica, já estão em fase de licitação, com previsão de investimento de R$ 525 mil. O prazo para entrega da obra, após assinada a ordem de início, é de 120 dias, segundo a secretaria. A pasta reconhece que a obra do pavilhão 4, com previsão de investimento de R$ 110 mil, está paralisada, mas informa que já notificou a empresa contratada para recomeçar os serviços imediatamente. “A previsão é que os trabalhos estejam concluídos até o final do mês de novembro”, diz a Seduc em nota.

No entanto, Geovana afirma que a obra maior ainda não foi autorizada pela Secretaria da Fazenda e que ainda não há um número de empenho permitindo a liberação do recurso. “Pelo menos até ontem à noite ainda não tinha saído, e só depois disso pode abrir a licitação”, afirma.

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