Pagode ganha ar moderninho e reconquista o mercado musical – Porto Alegre 24 Horas
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Cultura

Pagode ganha ar moderninho e reconquista o mercado musical

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Foto: Reprodução | Instagram

Além das tretas entre Anitta e Ludmilla, o Prêmio Multishow 2019 confirmou uma suspeita que há tempos rondava o mercado fonográfico brasileiro: uma versão “universitária” do pagode está cada vez mais em voga no país. Dilsinho ganhou como Cantor do Ano e Ferrugem levou a Música do Ano, com Atrasadinha (parceria com Felipe Araújo).

Dilsinho e Ferrugem são os expoentes da nova geração de pagodeiros: eles assumem o protagonismo do ritmo, seguindo um processo de modernização iniciado por Turma do Pagode, Sorriso Maroto, Mumuzinho e Thiaguinho. Ao receber o troféu de Melhor Cantor, o carioca Dilson Cher disparou: “Isso aqui é o reconhecimento de um gênero”.

Em Quarto e Sala, lançado em outubro, Dilsinho explora as vertentes do novo pagode: são temas contemporâneos, questões do cotidiano, uma melodia mais moderna, com a mescla romantismo e urbanidade.

“Do mesmo jeito que nossos ídolos – como Jorge Aragão – nos receberam muito bem, precisamos ajudar os novos nomes. Vitinho, Ferrugem e Mumuzinho são grandes expoentes do samba”, abençoa Péricles, em papo com o Metrópoles.

Anos 1990

Nos anos 1990, o pagode virou uma febre no Brasil: bastava ligar no Faustão, na Xuxa ou no Gugu, para ver Exaltasamba, Os Travessos, Karametade, Soweto, Só Para Contrariar, Molejo, Negritude Jr. e tantos outros. Focados no romantismo, esses nomes formaram uma geração de fãs e influenciaram os artistas contemporâneos.

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A turma contemporânea fez um caminho adotado pela galera do sertanejo universitário: apostou na parceria com os mais variados gêneros musicais. Pop, samba, axé, funk…. todos se juntaram aos pandeiros e cavaquinhos melódicos. Dilsinho já cantou com Pabllo Vittar e Ferrugem assina música ao lado de Felipe Araújo – apenas para ficar nos dois expoentes. Outros nomes em destaque são Tiee e o grupo Atitude 67.

“Na década de 1990, houve o surgimento de muitas bandas de pagode. Elas tinham, em seu discurso, uma luta social muito forte, foi um dos maiores momentos do ritmo. Acredito que de 10 em 10 anos, o cenário passa por alterações. A música brasileira, de modo geral, ficou mais globalizada. Trago isso, mesclei influências do SPC e do Exalta com ideias atuais do pop”, explica Dilsinho ao Metrópoles.

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Para Matheus, cavaquinista da banda brasiliense Di Propósito, a grande diferença das gerações está na melodia e nas letras.

“Antigamente, eram historias mais longas, com refrões fortes. Hoje, está mais voltado para temas atuais, letras pequenas e refrões chicletes. É um pouco da escola do sertanejo, de abordar coisas do dia a dia, com melodias mais fáceis e parcerias com outras vertentes, como o funk e o forró”, opina o músico. Ele e a banda estão no mercado há 11 anos e acompanham de perto as mudanças.

De fato, o sertanejo é uma grande influência para os novos artistas. A tradicional música do interior do Brasil ganhou novos ares ao se abrir aos gêneros urbanos, principalmente o funk. Isso projetou astros como Luan Santana, Jerry Smith, Israel Novaes e tantos outros.

“Acho que essa mistura de ritmos fortalece a música, é bom para o cenário. Querendo ou não, favorece as bandas, pois entramos em contato com outros gêneros”, opina Acerola, responsável pelo surdo na Di Propósito. “É uma forma de conquistar novos públicos”, completa Matheus.

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“As parcerias estão cada vez mais presentes. Nosso país tem uma qualidade musical muito grande, com funk, forró e axé. A gente se permite essa mistura, faz parte de uma nova geração do pagode”, pondera Dilsinho.

Sucesso de público

Além de conquistar prêmios recentemente, os novos pagodeiros são figuras constantes no Top 200 do Spotify e também em outras listas de preferencias musicais. O sucesso também chega ao YouTube. Ferrugem, por exemplo, conta com 3,2 milhões de inscritos no canal, superando a marca de 1,1 bilhão de visualizações.

Na noite de Brasília, o pessoal do Di Propósito notou que o público curte uma mescla de novidades com os clássicos. “Fazemos um equilíbrio entre o som do momento e os hits nostálgicos que botam a galera para cantar com a mão para o alto”, opina Matheus.

Formado por Kaique (vocalista), Laycon (vocalista), Matheus (cavaco), Xandy (pandeiro), Gege (percussão), Pedrinho (tantan) e Acerola (surdo), o grupo que começou a tocar durante as férias escolares completa 11 anos de estrada e planeja um DVD. “Queremos dar passos maiores”, garante Gege. (Metrópoles)

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