Morta em assalto, dona de casa fazia trabalho voluntário com famílias carentes – Porto Alegre 24 Horas
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Morta em assalto, dona de casa fazia trabalho voluntário com famílias carentes

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Morta com um tiro no peito enquanto realizava uma tarefa do seu trabalho voluntário, Mariza Iracema Cassol Jaques, 54 anos, era um símbolo de altruísmo. O auditório lotado da Sociedade Espírita Simão Pedro, onde foi realizado o velório, comprova. O crime deixou um marido, quatro filhos, três netos, entre outros familiares, e inúmeros amigos e admiradores sem chão. Ela foi enterrada, no final da manhã deste domingo, no cemitério São Jerônimo, em Alvorada.




Mariza dirigia o Departamento de Assistência e Promoção Social Espírita (Dapse) da instituição há anos. O setor já doou mais de 1,5 mil ranchos a famílias cadastradas e realizou cerca de 3,6 mil atendimentos a famílias carentes da comunidade. Em casos de calamidades públicas, o departamento também costuma atender a Secretária do Trabalho e Assistência Social de Alvorada, auxiliando diversas outras entidades. Ao todo, o setor conta com 30 voluntários, que eram liderados por Mariza.

“Em nenhum momento ela deixou de estar presente no seu trabalho. Aqui, ela encontrava um conforto e uma razão de viver, além da própria família, que era ajudar o próximo”, afirmou Laudio Alberto Borba Júnior, 40, que é filho do presidente da instituição e trabalhou durante anos com Mariza no local. Ele se refere a época em que a voluntária batalhou contra um câncer de mama. Até ficar totalmente curada foram cinco anos. “Ela passou por, aproximadamente, mais de dez procedimentos em função do câncer”, contou.




Segundo ele, seu pai estava realizando a busca dos alimentos com ela no momento do crime. “Ela estava com o presidente da casa. E, naquele exato momento, realizando sua tarefa”, disse. Além da busca por alimentos e agasalhos, a voluntária também se dedicava ao cadastro de famílias necessitadas. Junto com sua equipe, ela realizava visitas às comunidades. “Ela ia nas vilas com um grupo de colegas e amigos fazer visitas e conhecer a realidade das famílias, identificar necessidades. Era algo quase semanal”, relatou Laudio.

As necessidades encontradas variavam desde roupas e calçados, até alimentos, kit para recém-nascido, material escolar, utensílios domésticos, móveis e material de construção, entre outros. Através do Dapse, foram confeccionadas cerca de 1,4 mil peças de roupa em tecido e 250 peças de lã. Em relação às doações recebidas, foram quase 82 mil quilos de alimento, 96,7 mil peças de roupa, além calçados, brinquedos e outros materiais. “O que fica da pessoa é um grande caráter e honestidade que deixa um legado pelo seu exemplo”, ressaltou o amigo da família. Um dos maiores exemplos de como Mariza passava também valores a quem estava a sua volta eram as visitas dos netos. “Os netos vinham de Rio Grande e, quando vinham visitar a avó, ela trazia pra mostrar como é o voluntariado na prática”, relatou Laudio. (Correio do Povo)




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