Jovens de Porto Alegre empreendem no hip-hop e criam festival de rap – Porto Alegre 24 Horas
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Cultura

Jovens de Porto Alegre empreendem no hip-hop e criam festival de rap

A ideia é expandir o negócio para o resto do Brasil, começando por Santa Catarina

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Foto: Arquivo pessoal | Ariel Freitas
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Por Luka Pumes | GeraçãoE

A New Island Grupo de Entretenimento concretizou inúmeras festas adolescentes em Porto Alegre na última década. A produtora, criada por Keni Martins, quando ele tinha 18 anos, junto a seus sócios, teve ascensão seguida de uma queda repentina. Para Keni, isso serviu como combustível para iniciar uma nova jornada: a TriRap/Olimpo Produções, organizadora do Rap In Cena, o autointitulado maior festival de rap do Sul do País, que ocorreu no mês passado, no Pepsi on Stage. O evento mostra que o estilo musical pode ser muito mais que arte, mas uma fonte de renda para toda uma comunidade.

TriRap e Olimpo são duas segmentações de uma mesma equipe. A primeira dá nome aos eventos de âmbito local e a segunda, âmbito nacional. De 2013 para cá, foram 24 eventos realizados, público de 49 mil pessoas, além de 20 mil toneladas de alimentos distribuídos em cerca de 10 instituições de caridade.

O desejo de “viver do Rap” é bem comum em contextos de ambientes periféricos. Encontrar outras formas que não sejam só as óbvias foi preponderante para a Olimpo virar uma atividade profissional. “Chegou um ponto que eu tive que escolher entre fazer arte e ser empreendedor. Dá pra brincar em qual o maior risco. Eu escolhi o que era mais seguro, o que digamos, senti mais firmeza”, afirma Keni.

O hip-hop possui quatro elementos, sendo um deles o rap, que sempre teve a função de dar voz aos menos favorecidos socialmente e às causas militantes. “Me cerquei de pessoas como a Mariana Marmontel, ela é tipo nossos olhos na rua, bem atuante, está sempre nas rodas de batalha e poesia. Ela bate forte na temática racial, mas também em outros pontos de fortalecimento. É importante ter essa representatividade em todos os pontos. Seja por etnia, gênero ou opção sexual”, aponta Keni.

Ainda sobre o movimento, Keni define o que representa. “O hip-hop é uma libertação de espírito, é mais do que cultura, mais do que um gênero musical através do rap. É a forma na qual a gente ainda tem a possibilidade de melhorar e evoluir a humanidade. Seja em aceitação ou em estender a mão para o próximo. É a coletividade que é ensinada através de muitos pontos dentro do movimento. Isso é muito importante. Uma honra contribuir.”

Os planos futuros da Olimpo são audaciosos. Os três sócios manifestam a vontade de expandir para todo território nacional e até internacionalmente o conceito “Rap In Cena”. O primeiro passo foi dado. Santa Catarina já deve receber alguns eventos da produtora que servirão como um “preparo de campo” para o festival, que deve ocorrer no estado pela primeira vez no início de 2020.

O cenário para evolução é positivo, segundo Keni. “Nos intitulamos o maior da Região Sul porque somos realmente. Ninguém faz o que a gente faz só com o rap. É só olhar os números. Se esperarmos alguém nos dar esse título, vamos morrer esperando porque as mídias tradicionais não dão a atenção necessária ao hip-hop. Se funcionou aqui, onde tudo é difícil, vai funcionar nos outros estados. Aí, então, seremos o maior festival de rap do Brasil”, espera.
Junto a Keni, Júlio Romani e Guilherme Camerini comandam a produtora. Guilherme e Júlio cuidam do marketing,enquanto Keni fica com a logística geral.

A trajetória

Keni era lutador de boxe olímpico. Foi campeão estadual três vezes, nacional duas e representava o S.C Internacional. Quando largou o esporte, conta que não esperava o enredo que a vida tomou. “Eu vivia uma vida ‘normal’, fazendo Técnico de Administração, estagiando, essas coisas. De repente, veio a ideia de ‘bora fazer uma festinha?’. Só que não era com intuito de ganhar dinheiro. Mas a repercussão foi tão boa, e, ao mesmo tempo, a gente ganhou R$ 8 mil naquela ‘brincadeira’. Aí não tinha o que fazer a não ser seguir. Logo em seguida veio o primeiro prejuízo, que foi de R$ 12 mil. Deu para ver o que era empreender e que eu ia ter que persistir”, conta Keni.

Sobre as dificuldades que teve nos investimentos, Keni abre o jogo. “Tivemos momentos de alta e momentos de prejuízos que assustaram. Para o empreendedorismo é essencial saber passar por isso. Me atirei de paraquedas em algo que eu não sabia fazer, mas aprendi fazendo. Obviamente algumas coisas iam dar errado no percurso e é aí que a mentalidade tem que ser forte. Torramos o dinheiro, fizemos o que não era para fazer. Comecei com 18 anos e entendo que precisei cair para voltar realmente bem mais forte com o projeto. Não me arrependo de nada. Tanto que eu pensei ‘se eu fiz uma vez, eu posso fazer de novo’. E está aí tudo que virou.”


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