Inter lança nesta quarta-feira o seu plano popular de sócios, com mensalidades e ingressos de 10 reais
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Inter lança nesta quarta-feira o seu plano popular de sócios, com mensalidades e ingressos de 10 reais

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Quase dois meses após o anúncio da iniciativa, finalmente a direção do Inter coloca em prática nesta quarta-feira seu plano intitulado “Academia do Povo”. A iniciativa é voltada para os torcedores com renda mensal de até dois salários-mínimos (1.874 reais), os integrantes de programas sociais do governo e estudantes da rede pública de ensino.

Esses três segmentos poderão pagar apenas 10 reais para se associar ao clube e pagar o mesmo valor pelo ingresso nos jogos disputados no Beira-Rio. Na primeira etapa do plano, será dada preferência para que os sócios já enquadrados nesse perfil migrem para a nova modalidade, que entrará em vigor no dia 25 deste mês (sábado), dia de confronto contra o Paysandu pela vigésima-segunda rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

As adesões deverão ser solicitadas na CAS (Central de Atendimento ao Sócio), no Beira-Rio, mediante comprovação dos pré-requisitos por documentos e entrega de um formulário específico. Os casos serão analisados por um comitê interno. Inicialmente, o Inter disponibilizará 2 mil cadastros, número que o clube promete ampliar na segunda fase do projeto. As informações completas estão no site www.internacional.com.br ou pelo telefone (51) 3230-4600.


Pré-lançamento

O ingresso popular que passa a ser oferecido agora não chega a ser exatamente uma novidade para todos os torcedores do Inter. No dia 30 de julho, o clube realizou uma festa alusiva à campanha no Areal da Baronesa, comunidade secular que se localiza na “divisa” entre os bairros Cidade Baixa, Menino Deus e Praia de Belas, próximo à zona central de Porto Alegre.

Centenas de pessoas prestigiaram o evento, que contou com a presença do mascote Saci e do ex-zagueiro Pinga (campeão da Copa do Brasil de 1992), além das taças das principais conquistas coloradas. O departamento de marketing planeja ações semelhantes em outras bairros e vilas de baixa-renda da Capital.

Além disso, a denominação “Academia do Povo” para a modalidade associação popular foi escolhida do endereço virtual do Inter, por meio de uma enquete realizada entre os dias 22 e 28 de julho e da qual participaram mais de mil internautas, entre sócios e torcedores. A divulgação do resultado ocorreu dois dias depois.

História

Ao anunciar oficialmente a novidade, nesta segunda-feira, o Inter ressaltou as origens do clube, autoproclamado o “Clube do Povo” – pressuposto que tem por base uma história marcada desde o ano de sua fundação, em 1909, pela participação dos torcedores mais humildes.


“Criado para ser um clube aberto a todos, em contraposição aos demais existentes na época, que fechavam suas portas para quem não era da alta sociedade, o primeiro campo colorado situava-se em meio a dois bairros de ex-escravos, a Ilhota e a Areal da Baronesa. Ali surgiam os primeiros torcedores do clube vermelho e, já na primeira década, o Colorado se tornou o clube mais popular da cidade e do Estado”, diz o texto.

A mensagem não deixa de cutucar o passado do coirmão porto-alegrense, o Grêmio, fundado em 1903: “Já na década de 1930 e 1940, o Inter era chamado pela imprensa local de ‘Clube dos Negrinhos’. Enquanto o time colorado tinha jogadores de todas as cores, o rival não admitia atletas negros. Nestas décadas, o Rolo Compressor, composto em sua maioria por negros, massacrou o rival com várias goleadas em Grenais e atingiu a supremacia no clássico que perdura até hoje”.

Outro aspecto salientado é o próprio estádio inaugurado em 1969 na avenida Padre Cacique. “Nas décadas de 1950 e 1960, quando o Inter já denominado ‘O Clube do Povo’, torcedores de todas as classes sociais contribuíram na construção do Gigante da Beira-Rio. Carroças com tijolos chegavam das periferias e dos morros da cidade para ajudar na construção do nosso querido estádio”, prossegue o material informativo. “A ‘coreia’, setor mais popular do estádio, cobrava um preço simbólico e era frequentada por milhares de torcedores de baixo poder aquisitivo, a essência do clube.”

Em 2004, por determinação da lei, deixou de existir no Beira-Rio a “coreia” – nome informal pelo qual era conhecido o anel em que milhares de pessoas acompanhavam os jogos, de pé e em um nível bastante próximo do gramado. O próprio clube admite que, desde então, os torcedores de baixa renda passaram a ter dificuldades financeiras para frequentar os jogos no estádio. “Com o objetivo de resgatar a nossa história e as nossas raízes, valores fundamentais em toda instituição, o Inter reabre suas portas para estes torcedores voltarem à sua casa”, comemora a direção colorada. (O Sul)


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