Estudante de Direito denuncia à Assembleia Legislativa casos de racismo na UFSM
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Estudante de Direito denuncia à Assembleia Legislativa casos de racismo na UFSM

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D0 Sul21

Desde agosto, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vem sendo palco de manifestações racistas contra alunos da instituição. Depois da mais recente, em novembro, estudantes ocuparam a Reitoria em protesto e alegando falta de diálogo por parte da universidade. Os alunos cobravam, entre outras coisas, um posicionamento público da instituição diante do ocorrido. Nesta quarta-feira (06), o estudante de Direito Elisandro Ferreira, um dos alvos de racismo na UFSM, denunciou o ocorrido à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

Já foram três casos de pichações racistas em paredes dentro de salas de diretórios acadêmicos da universidade este ano. Em agosto, uma suástica foi desenhada na parede do diretório do Direito. Em setembro, foi pichada a frase “o lugar de vocês é no tronco, fora negros, negrada fora”, direcionada para Elisandro e uma colega. Após os primeiros episódios de racismo, a UFSM instalou 16 câmeras de segurança para tentar coibir a ação, mas isso não impediu que um novo caso ocorresse. Em 21 de novembro, um dia depois do Dia da Consciência Negra, pichações foram encontradas na parede do curso de Ciências Sociais com os dizeres “brancos no topo” e “fora macacos” ao lado de duas suásticas. Os nomes de três alunos negros estavam escritos nas paredes.




Os episódios revoltaram a comunidade negra e outros alunos dentro da universidade, que já realizaram diversas manifestações a respeito do caso e cobraram ações da reitoria da UFSM para combater o racismo. Na manhã desta quarta-feira, na comissão, Elisandro contou um pouco de sua história. Aos 9 anos, foi morar na rua, onde permaneceu até os 16. Aos 21, o filho de uma catadora que estudou apenas até a quarta série, depois de três tentativas frustradas, conseguiu ingressar na UFSM.

O estudante, contudo, relatou que tem enfrentando uma grande batalha para permanecer estudando. Sem dinheiro para comprar os livros de Direito, a maioria caros, tem cursado a faculdade na base de empréstimos. No atual semestre, está matriculado em 14 cadeiras, que cursa pela manhã e à noite. Durante a tarde, trabalha em um escritório de advocacia.

Apesar dos esforços que faz para concluir o curso, Elisandro contou aos deputados que pensou em abandonar a faculdade depois do episódio de racismo.”Esse fato abalou totalmente a minha estrutura psicológica”, disse. “Durante os quatro anos que eu estou na universidade, eu achava que conhecia as pessoas. Eu não confio em mais ninguém na UFSM”, complementou.




Elisandro pediu auxílio aos deputados para o enfrentamento dos casos de racismo dentro da universidade, alertando que a tensão no campus está em um estágio em que conflitos raciais podem vir a ocorrer em breve. “Não é mimimi isso aqui, é muito sério, porque amanhã ou depois poderemos ter confrontos entre negros e brancos dentro da universidade. Estamos voltando no tempo. Vamos chegar aonde?”

A comissão de Direitos Humanos se comprometeu a acompanhar as investigações sobre os casos – que ainda não identificaram os perpetradores – e a organizar um seminário sobre o combate ao racismo dentro da UFSM no início do ano que vem.

Confira parte do depoimento do estudante:




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