Escola de Porto Alegre suspende aulas após amanhecer pichada com ataques a alunas, professores e ameaça
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Escola de Porto Alegre suspende aulas após amanhecer pichada com ataques a alunas, professores e ameaça

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) diz que recebeu com apreensão o episódio e que solicitou à Secretaria Municipal de Segurança o reforço do patrulhamento na escola feito pela Guarda Municipal, bem como do monitoramento por câmeras

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Foto: Reprodução

Por Luís Eduardo Gomes | Sul21

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Monte Cristo, localizada no bairro Vila Nova, em Porto Alegre, amanheceu nesta segunda-feira (15) pichada com palavras misóginas, ofensas a professores e frases em alusão ao massacre de Suzano — quando dois atiradores abriram fogo contra a escola Raul Brasil, no dia 13 de março, deixando 8 pessoas mortas, além deles próprios. As aulas foram suspensas durante a tarde e reuniões estão marcadas com a comunidade escolar para o final do dia. A Polícia Civil investiga o caso, mas, até o momento, não vê ligação com o episódio que ocorreu no interior de São Paulo. Ainda não se sabe quem é o autor das pichações, nem se é estudante ou não da escola.

De acordo com uma professora da escola que pediu para ter a identidade preservada por temor de represálias, os servidores e funcionários que atuam na escola descobriram as pichações quando chegaram ao local, nesta manhã. As frases de ódio foram escritas nos muros, paredes, portas de salas de aula e no piso da quadra esportiva da Monte Cristo, xingando professoras, estudantes mulheres e o diretor da escola. A quadra esportiva amanheceu com os dizeres “Suzano voltará aqui” e ofensas ao diretor e a uma docente.

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A professora ouvida pela reportagem destaca também o conteúdo misógino das pichações. No muro do lado de fora do banheiro feminino foi pichado “canto das putas”. A mensagem é uma alusão ao fato de que alunas dos últimos anos do Ensino Fundamental na escola instituíram um espaço no banheiro chamado de “canto das meninas”, um local melhor preservado para elas realizarem cuidados pessoais e para trocarem mensagens positivas e de “empoderamento”, segundo a professora. Ela conta ainda que, pela manhã, todos os professores abordaram o tema em sala de aula devido ao impacto que as pichações causaram nos alunos e nos servidores e que as aulas foram suspensas pela parte da tarde. Até o momento, não há informações sobre quando a Monte Cristo, que atua em três turnos, irá retomar as aulas.

A docente, que dá aula para alunos do 3º e 4º ano na escola, destaca que a EMEF Monte Cristo não tem um histórico de violência e, pelo contrário, tem promovido diversas ações de engajamento social. “É uma escola que sempre foi alegre, aberta, receptiva, com participação da comunidade”, diz.

O delegado Luciano Coelho, do 13º DP, afirma que investigações sobre o episódio foram abertas e que uma equipe foi encaminhada para periciar o local, mas que, por enquanto, está tratando como um caso de dano ao patrimônio, não como algo que possa estar vinculado ao episódio de Suzano. Ele justifica a decisão dizendo que, nos últimos tempos, tem recebido denúncias de mensagens deixadas em escolas de que ataques semelhantes possam acontecer, mas que, até o momento, não se tem nenhum registro de ação semelhante em Porto Alegre. Luciano considera que fazer uma ligação com o que ocorreu no interior de São Paulo é perigoso e pode ter o efeito contrário, de estimular adolescentes a cometerem atos de violência. “Se a gente começar a ventilar esse tipo de ideia, vamos ter que ter um policial em cada escola”, diz. Para o delegado, os representantes das escolas deveriam agir de forma mais cautelosa e adotar um sigilo maior sobre episódios como esse. “O cara quando vai fazer algo do tipo não anuncia antes”, avalia Luciano.

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Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) diz que recebeu com apreensão o episódio e que solicitou à Secretaria Municipal de Segurança o reforço do patrulhamento na escola feito pela Guarda Municipal, bem como do monitoramento por câmeras. A Smed diz que imagens monitoradas foram enviadas para a Polícia Civil para contribuir nas investigação e que a pasta seguirá acompanhando e oferecendo apoio à escola.

Representantes do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) estiveram na escola nesta segunda-feira e cobram da Prefeitura ações para garantir a segurança de professores e alunos. “Para o Sindicato, o fato é grave e reflete ao menos dois aspectos presentes no cenário atual. Primeiramente, a ascensão e o estímulo à cultura de ódio e à violência na sociedade como um todo – que ganhou ainda mais força após a eleição de Jair Bolsonaro – e nas escolas em particular – inclusive por meio de propostas como a Escola Sem Partido, que cerceiam a liberdade de cátedra dos professores e promovem perseguições ideológicas e denuncismo de alunos contra docentes. O segundo e não menos importante aspecto é a vulnerabilidade e o sucateamento do sistema municipal de ensino, resultantes da política de ataque aos serviços públicos promovida pela gestão Marchezan”, diz nota do Simpa.

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Foram marcadas duas reuniões para a tarde desta segunda na EMEF Monte Cristo. Às 17h, do Conselho Escolar — formado por representantes de pais, alunos, professores e direção da escola. Às 18h, de representantes da escola com a comunidade.

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