Dupla Gre-Nal avalia entrada no cenário dos eSports – Porto Alegre 24 Horas
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Dupla Gre-Nal avalia entrada no cenário dos eSports

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Créditos da foto da notícia: Foto: Bruno Alvares / Riot Divulgação.

Por algum tempo, fez sentido a questão se os eSports seriam uma promessa, uma realidade ou nada mais do que uma moda passageira. Esse tempo já ficou para trás. O sucesso de competições como o CBLoL (Campeonato Brasileiro de League of Legends), que lotou o Araújo Viana, no início do mês, deixa claro que a modalidade veio para ficar e já tem seu público, na imensa maioria jovem, bem consolidado. O que nos leva para outra questão: já é hora de equipes tradicionais de outros esportes como futebol e basquete embarcarem neste trem ou o momento é de análise?

O caso recente do Flamengo, no entanto, talvez acelere a discussão. O clube carioca, dono da maior torcida do país, aventurou-se no cenário do League of Legends (LoL) no final de 2017. Menos de um ano depois, chegou à final do Campeonato Brasileiro, perdendo por 3 a 2 em uma decisão apertada com a KaBuM!. Se tivesse vencido, seria o representante do Brasil no Mundial da categoria, em outubro, na Coreia do Sul. O sucesso na empreitada não é um caso isolado.




No exterior, tem sido cada vez mais comum equipes de outras modalidades diversificarem suas atividades. Na Europa, clubes como os ingleses Manchester City e West Ham e o alemão Wolfsburg fazem questão de recrutar os seus próprios pro-players (como são chamados os jogadores profissionais) para participar de competições oficiais de Fifa. Nem é preciso ter alguma conexão com o esporte em si. A liga de LoL dos Estados Unidos, por exemplo, conta com dez equipes, das quais cinco têm ligações em maior ou menor grau com times tradicionais da NBA. O Copenhague, da Dinamarca, tem uma equipe dedicada ao Counter Strike (CS), um jogo de tiro em primeira pessoa.

No âmbito regional, a entrada no cenário dos esportes eletrônicos exerce, na mesma medida fascínio e cautela. Tanto o Inter como o Grêmio asseguram que estão atentos ao mercado e revelam ter sobre suas mesas uma série de propostas, para todos os tipos de jogos. No entanto, não há previsão de nenhum projeto no curto prazo. “Tem gente que nos procurou, batemos um papo. Mas não tem nada ainda definido, não há uma concepção clara se vamos entrar. A intenção é analisar bem para ver. Uma coisa é importante, se entrar tem que entrar bem. Mas é sim uma questão que está no nosso radar”, afirma o diretor de marketing do Grêmio, Beto Carvalho.

A situação não é muito diferente no Inter. De acordo com o coordenador de marketing Lucas Butier, já houve ofertas para que o clube disputasse competições de todos os jogos que contam com um cenário competitivo profissional como League of Legends, Counter Strike, Fifa, PES e Rainbow Six, entre outros As propostas são das mais variadas, desde a exploração da marca para buscar patrocínio até a oferta de equipes completamente prontas. Ainda existe, contudo, a impressão de que os sinais precisam ser mais seguros. “Esse é um tipo de assunto que seguramente vai ter alguma mudança ao longo do tempo, mas a gente não sabe qual é. Tenho muita dúvida de saber o que é melhor agora dentro desse segmento. Talvez tenha que esperar um pouco”, analisa o vice de marketing Otávio Rojas.




Responsável direto pela negociação com o Flamengo, o head de eSports da Go4it, Gabriel Duarte explica que a negociação foi longa, uma vez que todo clube tem seus processos internos. No final, pesou o argumento de que a entrada no cenário competitivo se justificava a partir do retorno previsto com o público. “Os clubes em geral no Brasil precisam renovar o seu público. Cada vez menos jovens abaixo de 15 anos vão aos jogos, então os clubes precisam ter mais contatos com esse público nativo digital”, explica Gabriel, ressaltando que a empresa traz consigo todo o expertise no cenário competitivo dos esportes eletrônicos, mas que o Flamengo participa de toda e qualquer decisão.

Torcida faz protesto contra eSports

Eram jogados 15 minutos do primeiro tempo do duelo entre o Young Boys e o Basel, pelo campeonato suíço, quando os torcedores começaram a arremessar para dentro de campo bolinhas de tênis. Várias. Dezenas. Centenas. Em meio a elas, até mesmo um controle de videogame foi jogado. O protesto aconteceu semana passada no Stade de Suisse e tinha um endereço claro: os eSports. Na verdade, o investimento dos clubes neles. Para não deixar dúvida, até mesmo uma bandeira foi aberta e no centro dela, se via um sinal que remetia ao botão de pausa nos jogos eletrônicos. Outras duas descreviam a modalidade com termos, digamos, pouco amigáveis. O protesto foi tão bem sucedido e a quantidade de bolinhas tamanha que o árbitro teve que interromper a partida por dois minutos, até que o campo fosse novamente limpo.




O mais curioso neste caso é que apenas um dos times, o Basel, possui envolvimento com os eSports, pois tem um time de Fifa. Os responsáveis pela liga suíça, no entanto, estão cogitando um campeonato paralelo, de videogame, com um representante de cada equipe, o que talvez tenha motivado o protesto.
A manifestação pode dar a entender que há uma animosidade dos torcedores em geral com os crescentes investimentos de clubes de futebol na modalidade. Bom, se há, é melhor ir se acostumando a ideia, até mesmo porque as equipes cada vez mais têm se mostrado interessadas em abraçar o projeto. “Estamos muito tranquilos pela forma como a liga fez essa aproximação cautelosa com os clubes”, explica Carlos Antunes, diretor de eSports da Riot Games, responsável pelo League of Legends e, consequentemente, pelo CBLoL. De acordo com ele, existem vários modelos sendo apresentados, desde aqueles em que o que acontece na prática é quase uma terceirização, já que a equipe chega pronta e apenas utiliza a marca, até outros no qual a ingerência do clube é muito maior.

Se o público tradicional do futebol tem algum tipo de resistência, o mesmo não pode se dizer do outro lado da ponte. Antunes observa que os torcedores de eSports veem com bons olhos a entrada de equipes tradicionais basicamente por dois motivos, a identificação natural que já existe com os times e uma espécie de agradecimento pela aceitação: “Eles encaram aquilo ali como se o time deles visse o mesmo que eles. É como um processo de legitimação daquilo que eles gostam”.




Da parte dos clubes, existe o receio de que o investimento seja mal interpretado e por isso a palavra “planejamento” é repetida à exaustão toda vez que o assunto vem à tona. “Uma entrada dessas não pode ser apenas oportunista, tem que ser estratégica. Preciso pensar aonde eu quero chegar, o que eu quero com isso. Não posso entrar porque é moda. Se não tiver uma consistência, aí amanhã ou depois termina”, justifica Beto Carvalho. O curioso é que, por outro lado, nenhum dos dirigentes da dupla Gre-Nal esconde a intenção de abraçar a novidade. Ao que tudo indica, é muito menos uma questão de “se” e muito mais de “quando”. “É uma coisa para o futuro, e esse futuro pode ser próximo, mas temos que ver o que vai acontecer com esse mercado. Mas tenho certeza de que não há alternativa, isso vai acontecer”, aposta Rojas.

Levando-se em conta que os valores financeiros que envolvem o futebol nas principais ligas são geralmente astronômicos, poderia se supor que a entrada de equipes tradicionais seria vista com ressalvas dada a possibilidade de um desequilíbrio econômico. A realidade, entretanto, é outra. “É um tema que falamos muito com os times, no sentido de não gerar inflação de mercado. Queremos um mercado real e correto, e não distorcido. As experiências têm sido bem realistas”, garante o diretor de eSports da Riot. A julgar a média salarial do que recebem os jogadores do CBLoL, a distância para o futebol ainda permanece gigantesca, visto que fica em torno de R$ 5 mil a R$ 10 mil, enquanto no futebol em geral esse salário não é destinado nem mesmo para atletas reservas. (Carlos Corrêa | Correio do Povo)




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