Com o receio da reforma da Previdência, 38 funcionários do Banco do Brasil fraudaram a aposentadoria – Porto Alegre 24 Horas
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Com o receio da reforma da Previdência, 38 funcionários do Banco do Brasil fraudaram a aposentadoria

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Créditos da foto da notícia: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

O procurador federal Alessander Jannucci, da AGU (Advocacia-Geral da União), revelou na terça-feira (5), que os 38 benefícios previdenciários concedidos de forma fraudulenta e investigados na Operação Barbour são de servidores do Banco do Brasil que tinham o receio de serem atingidos pela reforma da Previdência. A vereadora afastada Elian Santana (SD), de Santo André, e outros alvos da Barbour são acusados por improbidade administrativa pela AGU, em ação protocolada na sexta-feira (1º).

“Os 38 benefícios objeto desta ação de improbidade são de servidores do Banco do Brasil. Eles só praticavam fraude com relação a funcionários do Banco do Brasil? Não, o Banco do Brasil teve uma parceria mais célere e forneceu os documentos de uma maneira mais rápida, que permitiu aferir pontualmente o modus operandi da fraude e quais seriam esses benefícios”, afirmou.

Alessander Jannucci declarou que “são todos funcionários antigos do Banco do Brasil que estavam em vias de se aposentar”. “Já haviam tentado, em alguns casos, a aposentadoria por meio de um serviço gratuito que o próprio Banco do Brasil oferece, tiveram a aposentadoria negada e viram nessa possibilidade espúria, contrária aos interesses sociais, a possibilidade de virem a se aposentar e de certo modo não serem atingidos por uma eventual reforma da Previdência Social.”

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Segundo o procurador, após o ajuizamento da ação de improbidade, uma nova etapa da apuração vai mirar “se os beneficiários tinham ciência desta fraude”. Na avaliação de Alessander Jannuci, isto “provavelmente” vai se confirmar, “porque alguns deles apresentaram comprovantes de residência falsos”.




Além de Elian, são alvo da ação a chefe de gabinete da parlamentar, Luciene Aparecida Ferreira Souza; Vitor Mendonça de Souza, servidor público que trabalhava na agência do INSS em Diadema (SP) e é acusado de integrar a quadrilha; Adair Assah, intermediário acusado de auxiliar nos procedimentos perante a autarquia e nas tratativas junto aos interessados adquirir as aposentadorias. Segundo o procurador, a investigação identificou beneficiários que não eram da região de Diadema.

“Um deles era de Belém do Pará, por exemplo. Forneceu um comprovante de endereço falsificado”, relatou Alessander Jannuci.

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“São pessoas esclarecidas, a maioria delas com curso superior, recebendo altos salários, maioria deles praticamente acima do teto de salário de contribuição da Previdência Social e que buscaram por interesse próprio a prática dessa fraude.”

O delegado da Polícia Federal Rafael Fernandes Souza Dantas destacou que em um “momento de profunda crise nas contas da Previdência do Brasil, importantíssimo que fraudes sejam detectadas”. Para o delegado, é necessário que “os fraudadores sejam obrigados a ressarcir os prejuízos causados de modo a indicar, a moldar comportamentos, de que não vale mais a pena cometer crimes, praticar fraudes contra a Previdência Social”.

“Tão importante quanto prender e realizar buscas é descapitalizar grupo criminosos”, acrescentou.

Entenda a Operação Barbour

Durante a investigação, a Polícia Federal apontou que o esquema vendia, por valores que podiam chegar a R$ 15 mil, aposentadorias fraudulentas concedidas por meio da inserção de dados falsos nos sistemas da Previdência Social – em especial atestando períodos de trabalho em condições insalubres ou perigosas que, na realidade, nunca existiram. A PF afirma que a operação que funcionava com a ajuda do gabinete da vereadora Elian.




“Grupos de WhatsApp de funcionários do Banco do Brasil revelavam que em Diadema havia um intermediário que conseguia aposentar funcionários exatamente naquelas mesmas situações de uma maneira célere e sem problemas. Só que para isso eram cobrados valores de R$ 10 mil a R$ 15 mil”, narrou Alessander Jannuci.

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“As investigações revelaram que funcionários do Banco do Brasil, por meio do aplicativo WhatsApp, comunicavam-se diariamente e acabavam fazendo a publicidade desse serviço espúrio. Muitos funcionários do Banco do Brasil que possuíam salários consideráveis, com receio de uma eventual Reforma Previdenciária, de terem seus rendimentos diminuídos ou majorado o tempo necessário para a aposentadoria, buscavam este tipo de serviço. Muitos deles sequer viram pessoalmente o intermediário.”

De acordo com o procurador federal, os funcionários encaminhavam dados e documentos pelos Correios e faziam o pagamento ao intermediário por meio de depósito em conta bancária. Alessander Jannuci afirmou que o intermediário e o servidor do INSS, então, realizavam a fraude.

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